domingo, 18 de janeiro de 2009

Frágil II

Creio que o assunto de ontem sobre a frafilidade do ser merece um tratamento mais profundo, por esse motivo retorno a ele hoje.
Nesta manhã vi uma cena bastante tocante. A senhora acariciava com o seu polegar direito a testa do marido inconsciente na cama de uma U.T.I. Percebi o carinho com que ela o tratava e, de relance, vi seus olhos cheios de lágrimas. Provavelmente, pensava na fragilidade da vida, não da vida em geral, mas na de seu companheiro. Confesso que me angustiou bastante esse quadro.
Duas vidas que correm juntas, talvez, há algum tempo, de amor, carinho e dedicação de um pelo outro, e o medo pairando sobre a cabeça dela, pelo temor de uma separação precoce.
Feliz dos que estão preparados para enfrentar a fragilidade humana, pois esta é sempre dolorosa. É incrível pensarmos que somos capazes de chegar ao espaço, mover rios, destruir florestas, enfrentar guerras, mas que, concomitantemente, podemos cair ao cruzarmo-nos com um percalço do destino.
Triste pensarmos em quão pequenas são nossas vidas perante a imensidão da história, da qual quase nada presenciamos. Deixo-lhes um conselho: viavamos, amigos. Vivamos.

5 comentários:

Laura Vaz e Anderson Moreira disse...

vivamos, pexão, vivamos... a começar pela nossa viagem pelo litoral uruguaio.. que, quando paro pra pensar na minha vida, em meus amigos, é impossível não pensar na tua amizade e de outras pessoas que, quando escreveste akele artigo sobre a "passagem da vida" pensei quase que imediatamente em ti, primeiramente. dono do blog, e outras pessoas que tu sabe quem são e eu não tenho porque falar aki, tal injustiça que pudera cometer em minha abalada memória, ainda mais depois de algumas doses do cavalinho branco. Então, parafraseando Alexandre "O Grande" Carlo(com alteração de gênero e alguma alteração, acho que nao parafraseando, mas inspirando-me na sua obra ): "O filhinho do meu amigo que nascerá, me falou... como é bonito lá no céu..."(lembra do Daniel(meu colega?; será papai) desejo pra nós e creio que irá acontecer, a coisa mais valiosa que podemos fazer em vida, que é conhecermos uns aos outros e assim, cultivarmos amizades que julgamos dignas de nosso respeito; sendo tu e algumas poucas pessoas que sei que posso contar mesmo que tiver na maior merda( jah tive, mas não foi tão grande a ponto de eu te falar( não querendo preocupar-te). Por isso, sua piranha peçonhenta, vamo faze essa viagem nem que seja mendigando( digo eu)... Grande Abraço

Laura Vaz e Anderson Moreira disse...

se tu, professor de literatura, achar algum erro de concordância ou sei lá o quê, me perdoe, pois sou um mero admirador da palavra escrita e tento..

Rodrigo Bentancurt disse...

Que erro, nem erro. Há somente acertos nesse teu comentário e fico fascinado com a tua prosa, que desconhecia que era de tamanha qualidade.

FRIDA disse...

É meu irmão,nossa fragilidade só nos afronta em situações onde percebemos que somos apenas passageiros nesta viagem e que ela terá um fim...e poucos são os que conseguem perceber isto sem sentir que sua viagem está terminando.Fico em feliz em saber que a tua com certeza será aproveitada ao máximo.E é só isso que podemos fazer...viver! Com toda a intensidade que nossa alma consegue alcançar...como disse Galeano" existem fogueiras grandes e pequenas e fogueiras de todas as cores.Existe gente de fogo sereno,que nem percebe o vento,e gente de fogo louco,que enche o ar de chispas.Alguns fogos,fogo bobos,não alumiam nem queimam;mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar e quem chegar perto pega fogo."

E o teu meu irmão ,que maravilha...queima!!

Rodrigo Bentancurt disse...

Então, queimaremos juntos. Pois, a intensidade de nossas vidas deve ser incendiária.