sexta-feira, 12 de junho de 2009

Falou e não disse

Está frio, não é?
Pois é, bastante.
Será que chove?
Parece. Está meio úmido.
È.
È sim.
Então, tá.
Falou.
Como em todas as situações nas que não se têm muito a dizer, fica-se a abusar da função fática da linguagem, ou seja, essa tentativa de estabelecer um contato ou mantê-lo. E assim está a postagem de hoje. Uma porção de palavras que muito não dizem.
Pensar sobre determinados assuntos e escrever sobre eles, compartilhá-los vistualmente é um bom exercício para saber realmente como organizamos o nosso pensamento em discurso e como os demais o recebem. Então, da mesma maneira, parece-me interessante falar sobre o não saber acerca de que falar. Todos que, de certa forma, lidam com a escrita, passam por esses períodos. Teríamos diversos assuntos sobre que falar, porém as idéias não se concatenam, não conseguimos expressá-las, ou os temas fogem-nos. Assim são as coisas, assim é a vida. Porém, o que me chama a atenção, em diálogos como o escrito acima, é a maneira de se despedir dos jovens, assim como eu, com esse "falou". Exatamente, não se poderia usar outro signo, pois somente se falou, sem se dizer nada.

2 comentários:

Pablo BERNED disse...

Falar, verbo instransitivo: falar por falar, deixar-se levar pela expressividade da materialidade linguística, tão simplesmente por deixar-se ir à deriva...

Camarada, conforme prometido, adicionei o teo blog lá no meu. Sucesso aí...

Anderson disse...

sensacional!