sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Nosso destino

O destino pode ser uma trama feita a priori ou a resolução de cada ser, em cada uma de suas escolhas, dia após dia. Se o destino for algo predeterminado, quem o predeterminou? Se for algo criado por nós, através de nossas eleições, o que as determina? Sim, sempre há determinações, não somos livres, nunca o seremos. Ou seja, a liberdade não existe, isso sempre é reiterado neste espaço. A questão é: desde já excluímos a primeira hipótese, pois não há uma entidade superior, supra-humana que teça os fios das teias. Resta-nos a segunda opção.
Se pensarmos que somos produtos de nossas escolhas, teremos um obstáculo (a vida é cheia de obstáculos e não seria diferente escrever sobre a existência. Duvidemos de qualquer explicação simplista, em linha reta): o que nos faz gostar disto ou daquilo, o que nos leva a sentirmo-nos atraídos por tal escolha? Pierre Bourdieu tem uma excelente teoria sobre o tema: somos resulatado de nossa trajetória, a questão é que a determinamos, ao passo, que somos determinados por ela. Sentimo-nos atraídos por um "campo" através da "ilusio", e assim damos lugar à ilusão e ao acaso para formar nosso "habitus". Dessa forma somos socialmente determinados e determinamos a sociedade. Explicação satisfatória, contudo apovorante, pois somos forjados por esta sociedade e somos, simultaneamente, seus formadores.
Experienciamos um momento terrível, tanto no âmbito nacional como no global, haja vista a globalização aproximar-nos tanto as mazelas e afastar-nos os ganhos, porque estes são para poucos, pouquíssimos, como sempre o foi. Na nossa América Latina, mas em especial no Brasil, vivemos um momento crítico. A euforia pelo fim da ditadura militar criou uma ilusão de democracia e uma sensação confusa entre liberdade e falta de alguns limites. A liberdade, somente é plena (com todas as restrições que esse termo abarca) se não cercear a liberdade dos demais, porque, na democracia, todos teríamos o direito a ser livres, e a liberdade de alguns não pode acarretar restrições a outros. Nessa senda, estamos a viver um momento limite cujo desfecho pode ser terrível.
Alunos batendo em professores, professores despreparados e sem o conteúdo necessário para modificar a sociedade, a expansão universitária que cada vez nivela mais por baixo os futuros condutores da nação, pois quase não há seres críticos capazes de discernir o porquê chegamos a tal ponto, roubos e assaltos ocorrendo na frente de policiais e os direitos humanos dando liberdade para alguns e, de forma tautócrona, cerceando a liberdade dos outros. Essa quebra de respeito pelas autoridades não serve em uma sociedade capitalista. Se queremos liberdade devemos buscá-la de outra forma, em outro sistema. Não sei em qual, mas os que temos estão esgotados. Nessa senda, desdobram-se outros problemas: cada vez com menos seres críticos, mais distantes ficamos de uma proposta, de uma teoria, de um corolário contundentes para modificar a atual situação. Isso pode desencadear um processo de retorno ao passado histórico e a nova instalação de ditaduras, com grande suporte popular.
Devemos rever conceitos, repensar nossa situação, pois nosso futuro, assim como o nosso passado, são execráveis e a ilusão de que estamos, momentaneamente bem, é a pior das mazelas. Se estamos de olhos fechados, abramo-los e coloquemo-nos a pensar, a respeitar, a vislumbrar a totalidade da sociedade e como essa liberdade é uma ilusão, um circo para quem não tem pão. E a solução pode estar mais próxima de nós do que, deveras, acreditamos embora não seja simples. Mudemos relações cotidianas e, com o passar dos anos, mudarão as relações de poder institucionalizado. A corrupção existe em todos os níveis: furar uma fila, não devolver um dinheiro que nos dão para mais são formas de corrupção em nossa esfera. Repensemos sem, entretanto, tentarmos ser politicamente corretos, isso é hipocrisia, respeitemos aos demais que já nos basta e assim poderemos ser "livres" em nossas escolhas e reponsáveis por nosso destino.
P.S.: Não quero soar retrógrado, muito pelo contrário. Sejamos a vanguarda da liberdade, compreendendo o que esta significa e como podemos ser mais autônomos perante si.

3 comentários:

Roguappa disse...

Concordo contigo quando diz que vivemos uma falsa democracia. Certamente, é triste ver que grande parte da população (veja bem, grande parte - ainda há uma fração da sociedade que não deixou-se alienar) de nosso país acredita que vivemos em pleno estado democrático. O que é uma pena, pois, como você bem mencionou, não somos de todo livres.
Também não sei qual sistema é melhor, qual funcionaria - relativamente - bem nesse Brasil nosso de cada dia! Mas, assim como você, acredito que podemos iniciar a mudança através de nossos comportamentos, através das respostas aos estímulos que nos são apresentados diariamente.
Mudemos de atitude, deixemos de aceitar as estipulações que não nos agradam. Utilizemos mais palavras de afeto (que alguns (até) diriam que são clichês, mas que fazem grande diferença): muito obrigada! por favor! com licença! Também, está em tempo de dizermos não: à falta de respeito aos direitos e deveros, às atitudes de alguns (muitos?!?) políticos (principalmente daquele que diz que pouco se importa com a opinião de seus eleitores, lembra-se dele?), às falhas no sistema de saúde, e por que não dizer "não" a alguns programas - que dizem ser - sociais que somente mascaram a pobreza nacional? Enfim... iniciemos nossa jornada rumo a um novo sistema!

Brena Sabino disse...

Recebo um convite em meu e-mail para conhecer um blog para quem gosta de literatura, crítica, pensamentos e etc.
Quando decido conhecer o que escreviam, já que meu pai é colunista.. me deparo com 'Um rapaz latino-americano'!
É de arrepiar, hein!? rs

Rodrigo Bentancurt disse...

Brena, intriga-me o fato de que hajas recebido um convite por e-mail e, também, se gostaste do blog. hehee