quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Convenção

Já conversamos, neste espaço, sobre a pseudo-naturalidade de tudo que nos rodeia, mas, por ser um tema tão rico e tão explorável, retornemos a ele.
Sabemos que atitudes, comportamentos, tendências, posturas são exigências de uma vida em sociedade, contudo assim são em uma determinada sociedade, em um determinado tempo. No século XIX, por exemplo, qualquer ação que escamoteasse a mulher da vida social era natural, hoje, atitudes como essa são consideradas machistas e relegadas a um segundo plano como fonte de barbarismo. A questão é fundamental, no entanto pode levar a um desespero diante da impotência de modificação do status quo. Provocar, argüir, pressionar a realidade através da razão e fazer o mesmo também com esta demanda reflexão, paciência e arrojo, pois a realidade que nos constrói é, por nós, construída. Enfim, não quero resumir a grande aula de Literatura Fantástica, logo passemos a outro tópico.
E, nas relações interpessoais, como se projetam essas convenções? Não pretendo responder a essa questão, senão lançar dados para que construamos essa idéia juntos. Como historicamente acontecem as relações entre pais e filhos, professor e alunos, irmãos, casais, amigos? Não precisamos ser intelectualmente muito agudos para percebermos que elas se modificam ao longo do tempo. Se outrora os pais exerciam uma posição hierárquica cuja contestação de posições, de atitudes, permissões ou proibições era impossível, atualmente, percebemos um diálogo e, infelizmente, em muitos casos, uma atitude de sobreposição dos filhos. Portanto, as relações, a partir desse exemplo, e a forma como elas se dão são convenções sociais por nós construídas que, entretanto, experimentamos, empiricamente, e nos fazem os seres que somos como frutos de uma trajetória de vida.
Então, como podemos pensar nossas angústias, sofrimentos, expectativas e alegrias? Afinal, são sentimentos tão individuais que temos dificuldade de explicá-los em outras línguas quando alguém nos pergunta o que significam. Contudo, são construções sociais também que nos guiam como sentir e o que sentir em cada situação. Conclusão: esta massa é mais homogênea do que parece, mas paradoxalmente, é mais, muito mais heterogênea do que imaginamos, apenas não temos liberdade e, muito provavelmente, nunca a teremos, porque se as convenções nos retiram o particular e nos colocam no centro do geral, alguém as convencionou.

4 comentários:

Delia Morales disse...

holaa Rodri... bueno... es muy profudo el tema...algunos afirman q la libertad es libre... a lo largo de mi vida me he cuestionado los sentimientos "esos" aprisionado, encadenados por esa cultura occidental y cristiana q nos han metido dentro...pero a esta altura ya no me preocupa en demasía... la paz y la tranquilidad q he conse guido...me satisface por momemntos más largos q hace algunos años y el secreto creo q es ser un poco más autentico con uno mismo ,aceptar más al otro,permitirse equivocarse y CRECER,CRECER COMO PERSONA COMO SER HUMANO POR SOBRE TODAS LAS COSAS...UU ABRAZOOTE Y seguí escribiendo ES BUENO Q LA GENTE PIENSE MAS, se preocupen menos, No sientan culpa,se embriaguen de amor AMEN y sean FELICES... besssssss

Rodrigo Bentancurt disse...

Claro, concuerdo, pero será que la felicidad también nos es una convención?
Besoso, Delia

Adriano disse...

Me permita opinar.

Sr. Carlos Rodrigo, estimulado pelo seu questionamento profundo e inteligente, me esmero em encontrar uma resposta digna. A felicidade, tão citada, cultuada e buscada, é a maior das convenções sociais. Dentre as inumeras convenções sociais ja presenciadas, umas legalistas outras por modismos de uma determinada época, a felicidade prevalece, provavelmente o capitalismo tenha modificado o conceito de felicidade, tornando-o um lugar comum, mas a felicidade é o que aprendemos a buscar desde pequenos, criando a possivel fantasia de que seja um ponto de chegada, mas longe disso. Alegria são os bons momentos vividos, seja na esfera pessoal ou profissional, e muitos confundem felicidade com alegria. Finalizando, a felicidade é pura convenção, confundida com sucesso, exito e alegria. Eu "estou" uma pessoa feliz, e não "sou" uma pessoa feliz. Felicidade é uma palavra que se enquadra melhor em teorias poéticas do que culturais ou filosóficas!

Abração.

Dandan, vulgo Adriano.

Rodrigo Bentancurt disse...

Exatamente. Em primeiro lugar, estou surpreso e alegre por reconhecer uma escrita de qualidade que desconhecia em ti; em segundo lugar, concordo plenamente. Diferenciar alegria de felicidade é fundamental, para sabermos o que perseguimos e se o que perseguimos é fonte de algum regozijo.
Um abraco.