Com preguiça de pesquisar o sentido de um assunto, venho aqui afim de que alguém me responda o porquê de uma questão cuja origem desconheço. Por qual motivo foi eleito o coração o símbolo do amor e dos sentimentos? Poderia haver sido qualquer órgão a ser eleito como alegoria máxima dos afetos que há tanto perdura, mas não. É o coração o símbolo do amor. Imaginemos uma outra parte de nosso corpo no lugar desse símbolo. Os rins, por exemplo. O amor viveria em dose dupla para a maioria (eu possuo apenas um, logo não amaria com tanto fervor).
Se pensarmos na antigüidade clássica, observaremos que o amor está associado à dor, ao sofrimento, portanto o campo semântico que o rodeia é do inimizade, do desespero. As pessoas referiam-se ao seus amados como inimigos. Dido referindo-se a Enéas na “Eneida”, de Virgilio, por exemplo. Já na Idade Média e na Renascença não se perdem, totalmente, esses sentidos, contudo, incorpora-se a conotação que o coração é um castelo rodeado de muralhas que deve ser conquistado, daí o termo conquista, significante bélico, relacionado ao amor. Algum tempo atrás o amor passou a ser correlato de companheirismo, fidelidade, amizade. Entretanto, observamos que sempre foi relacionado ao coração. Como se um órgão fizesse desabrochar um sentimento e sustentasse-o, sem imiscuir outra gama de fatores envolvidos no inexplicável mundo dos sentimentos.
A partir dessa idéia, notamos que o amor, como as demais sensações e sentimentos, é uma construção social. Talvez, não a forma como o sintamos, senão as suas exigências e expectativas. Esperamos, queremos e oferecemos uma porção de ações e comportamentos impensados para os nossos ancestrais, cujas ações de prova de amor deveriam mostrar muito mais coragem, decisão, determinação, independente da doação ao companheiro. E, atualmente, o amor passou a ser algo tão egoísta como os seres de nossa sociedade.
A sociedade penetrou tanto em cada um de nós, conseguiu afastar-nos tanto em relação a trocas afetivas reais, através da globalização, que nos aproxima e afasta-nos, em movimentos simultâneos, que o único amor mais duradouro é o amor próprio. Não fazemos nada que possa prejudicar-nos um pouco em prol de um grande ganho coletivo, pois, qualquer coisa que nos afete é refutada imediatamente. Pensamos em nós, queremo-nos, amamo-nos, mas, apenas, a nós. O amor a outra pessoa chamado solidariedade, senso do coletivo, está, praticamente, em extinção. Todavia, é o coração o órgão do amor próprio, embora esse tipo de amor seja o mais racional possível, porque pondera prós e contras, põe tudo em uma balança e vê se é bom para si, se consegue levar vantagem, vale a pena. Em outros tempos isso não se fazia com o coração, pois este se associava a instinto, a impulsividade.
Mário de Andrade, em seu livro “Amar, verbo intransitivo”, disse muito, pois quem ama, ama. Porém, esse título pode ser revisto hoje sobre outro prisma, porque se as pessoas amam a si mesmas, obviamente, esse verbo pode ser intransitivo, pois não é necessário dizer a quem se ama. Mas quem segue amando é o coração, e presenciamos o fim do amor, conhecê-lo-emos pela história e pela literatura, quando os seres eram seres e amavam uns AOS OUTROS.
Se pensarmos na antigüidade clássica, observaremos que o amor está associado à dor, ao sofrimento, portanto o campo semântico que o rodeia é do inimizade, do desespero. As pessoas referiam-se ao seus amados como inimigos. Dido referindo-se a Enéas na “Eneida”, de Virgilio, por exemplo. Já na Idade Média e na Renascença não se perdem, totalmente, esses sentidos, contudo, incorpora-se a conotação que o coração é um castelo rodeado de muralhas que deve ser conquistado, daí o termo conquista, significante bélico, relacionado ao amor. Algum tempo atrás o amor passou a ser correlato de companheirismo, fidelidade, amizade. Entretanto, observamos que sempre foi relacionado ao coração. Como se um órgão fizesse desabrochar um sentimento e sustentasse-o, sem imiscuir outra gama de fatores envolvidos no inexplicável mundo dos sentimentos.
A partir dessa idéia, notamos que o amor, como as demais sensações e sentimentos, é uma construção social. Talvez, não a forma como o sintamos, senão as suas exigências e expectativas. Esperamos, queremos e oferecemos uma porção de ações e comportamentos impensados para os nossos ancestrais, cujas ações de prova de amor deveriam mostrar muito mais coragem, decisão, determinação, independente da doação ao companheiro. E, atualmente, o amor passou a ser algo tão egoísta como os seres de nossa sociedade.
A sociedade penetrou tanto em cada um de nós, conseguiu afastar-nos tanto em relação a trocas afetivas reais, através da globalização, que nos aproxima e afasta-nos, em movimentos simultâneos, que o único amor mais duradouro é o amor próprio. Não fazemos nada que possa prejudicar-nos um pouco em prol de um grande ganho coletivo, pois, qualquer coisa que nos afete é refutada imediatamente. Pensamos em nós, queremo-nos, amamo-nos, mas, apenas, a nós. O amor a outra pessoa chamado solidariedade, senso do coletivo, está, praticamente, em extinção. Todavia, é o coração o órgão do amor próprio, embora esse tipo de amor seja o mais racional possível, porque pondera prós e contras, põe tudo em uma balança e vê se é bom para si, se consegue levar vantagem, vale a pena. Em outros tempos isso não se fazia com o coração, pois este se associava a instinto, a impulsividade.
Mário de Andrade, em seu livro “Amar, verbo intransitivo”, disse muito, pois quem ama, ama. Porém, esse título pode ser revisto hoje sobre outro prisma, porque se as pessoas amam a si mesmas, obviamente, esse verbo pode ser intransitivo, pois não é necessário dizer a quem se ama. Mas quem segue amando é o coração, e presenciamos o fim do amor, conhecê-lo-emos pela história e pela literatura, quando os seres eram seres e amavam uns AOS OUTROS.






