sábado, 24 de agosto de 2013

Penumbra

            A luz fraca, ou melhor, a penumbra opaca, que entrava na sala, era capaz de ofuscar as janelas do meu corpo. Meus olhos, cansados, a meia altura corroboravam a minha existência. Estava cansado de estar sentado, com a vida passando, sem passar por ela.
          Me sentia como um boi, percorrendo um caminho marcado direto para o matadouro, simplesmente andando, sem saber por quê. Não queria isso, caminhar, a esmo, direto para o fim certo e doloroso de todos.
        Queria me virar, enfurecido, contra a manada. Queria ser o estouro, queria ser o fogo. Queria percorrer a trilha inversa, fazer o caminho mais longo e sinuoso. A cada passo, deixar uma pegada indelével, criando pistas para os que quisessem me encontrar. Não queria o silêncio, antes o barulho, a algazarra, o sorriso largo e sincero.

        A sombra diminuía, eu também. 

3 comentários:

Pedro Gonzalez disse...

òtimo.

Rodrigo disse...

Obrigado, Pedro!

M. disse...

Também achei ótimo.
Vale o que vale, nesse mar estranho que é o mundo (virtual).
Eu aqui sou silêncio.