segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Sombras natalinas


Uma vaga, curiosa e estranha ausência começa nesta época natalina. Não sei ao certo o que é, mas me sinto como se fosse uma sombra, como se todos nós fôssemos sombras. Sim, apenas sombras. Hoje, uma pessoa disse-me que as sombras poderiam representar a essência do ser, mas eu relativizaria tal assertiva, pois acho que as sombras representam justamente a aparência, projeções de nós, variando conforme a angulação solar.

Assim, sinto-me a mim e aos outros também na época de Natal. Neblina, tudo vira neblina, como em um dia ansiosamente aguardado para fazer algo ao sol que amanhece nublado, cinza e frustra nossas expectativas. Bem, em relação ao dia sem sol, até posso entender o motivo da tristeza da apatia que se nos apodera, do tédio que no abate, entretanto, no Natal, não sei qual é o motivo, senão ser Natal. Nunca tive problemas, sempre foi uma data para ser feliz, família reunida, amigos, presentes, comida, festa, contudo, à medida que a data se aproxima, um sentimento negativo, inexplicavelmente, se apodera de mim. Esse sentimento é corroborado por cada criança com fome na rua, por cada pessoa de escassas condições sonhando com um Natal cujo banquete nada mais do que o que temos cotidianamente. Natal é triste, é sem graça, o único bom é ser marca que falta apenas uma semana par o Ano Novo, data na qual as sombras se desfazem. 

4 comentários:

bauferil disse...

Ojalá puediera hacerte un comentario más alentador, pero es cierto que lo que es motivo para alegría y para excesos para algunos, es motivo de tristezas y carencias para otros. Será porque las riquezas del mundo nunca estuvieron proporcionalmente distribuidas, será porque el sentimiento de compasión no es más que una sombra en algunas personas, pero las jerarquías sociales y económicas que marcan esas diferencias son elementos inherentes a los seres humanos.

Rodrigo Bentancurt disse...

Te parece que son inherentes?
Bueno, la cosa es que está convencionalizado así.

canetasemtinta disse...

Acredito que muita gente compartilha da tua opinião, meu amigo. É uma pena que essa sentimento de 'piedade alheia' das pessoas dure apenas o período em que as guirlandas enfeitam as casas.

Rodrigo Bentancurt disse...

Pois é. Não sei se duram apenas durante o Natal, ou se nele se intensificam!
Abraçõs