
Acho que o meu carpe diem deveria ser “que não seja imortal posto que é chama/ mas que seja infinito enquanto dure”, isto é, não um exato carpe diem, mas uma forma de pensarmos a existência e a nossa ação sobre o mundo, enquanto ele age sobre nós. Às vezes desejamos uma existência duradoura e, para tal, privamo-nos de uma gama de situações, de ações em nome da quantidade.
Projetamos uma vida longa, embora para isso precisemos deixar muito do que nos agrada. Projetamos relacionamentos para vida inteira e para tal abdicamos do que nos interessava neles para não batermos de frente. Mas o que vale é a qualidade, aqui, leia-se intensidade. A vida deve ser intensa. Tudo pode durar um minuto se for profundo. A pele deve arrepiar-se, os sentimentos aflorarem, pois assim sentimos que estamos vivendo.
Portanto, onde diz intensidade, leia-se vida. No entanto, uma vida vivida, que espreme até a última gota de suco de tudo, viver sem ter a nostalgia de haver deixado de fazer uma porção de coisas que não somos mais capazes hoje. Isso é viver intensamente. Não projetemos a imortalidade, queiramos a intensidade.