segunda-feira, 30 de maio de 2011

La palabra justa

Vale a pena tomar 45 minutos do nosso precioso tempo destinado à produção, para refletir se esse mesmo tempo é tão precioso e se nós como indivíduos inseridos em um sistema somos tão importantes quanto nos julgamos, ou podemos repensar a nossa maneira de encarar o mundo. Apenas a apresentação do vídeo está em catalão.


Untitled from Rebelión on Vimeo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Morte de Osama: morte da democracia


Lembro como se fosse hoje, bateu o sinal, no colégio onde estudava, terminando o recreio, e na televisão um avião batendo contra um prédio enorme; a imprensa relatando aquilo como um acidente, e o grande professor Ângelo dizendo-nos para assistirmos àquilo, pois poderia ser um atentado e a história estava sendo escrita diante de nossos olhos. Perceberam, obviamente, que falo do marcante 11 de setembro de 2001. Lembro também de imagens sendo veiculadas aos ataques de árabes festejando o atentado. A comunidade islâmica teve de explicar que as imagens eram antigas, de uma data festiva do mundo Árabe. Dez anos depois, depois de guerras contra os “terroristas”, que mataram mais civis que qualquer 11 de setembro, enfim matam Osama bin Laden.
A morte do chefe da Al Qaeda é comemorada em todo o Ocidente. Obama (tento não confundir cada vez que escrevo com Osama) ganha popularidade em vésperas de eleições nos EUA, americanos com a bandeira de seu país festejando nas ruas, e me pergunto: o que estão festejando, o fim da democracia? Não sou a favor do terrorismo ou de qualquer ato de violência protegido pela religião, mas movido por causas políticas, como sempre aconteceu na história da humanidade, desde a caçada a Jesus até as Cruzadas católicas.
Graças a dona Wikileaks, sabemos que desde 2002 houve mais de 120 ataques, feitos por aviões não tripulados dos EUA, no Afeganistão e o número de mortos civis é de 21% dentre todas as baixas; e agora festa pela morte de Osama. Posso estar enganado, mas há algo mais bárbaro do que combater um assassino assassinando-o? Percebo a mensagem ideológica subjacente nesse atentado americano: a lei do talião, olho por olho, dente por dente. E observemos que curioso: a origem dessa lei é a região onde hoje é o Iraque!
Creio que nos falto muito da bendita alteridade. Comemorar e buscar a morte de um assassino e tornar-se cúmplice de um assassinato também. Haja vista que toda a história tem, pelo menos, duas versões, há pessoas que se enfadaram com a morte de Osama e querem vingança, então como criticá-los se festejamos o assassinato de seu líder em um dos ataques não menos terroristas do Ocidente? Foi o golpe fatal na já agonizante democracia. 

terça-feira, 5 de abril de 2011

Para que serve?

Discute-se muito a pertinência do estudo das Humanas na escola em geral e, em particular, da Literatura. Acho essa discussão extremamente plausível e com uma resposta bastante óbvia: não se devem estudar essas matérias na escola.
Calma, não se assuste, não sou um reacionário utilitarista até o último ponto, pelo contrário. A questão é dada de maneira simples, para que serve estudar Literatura? Para nada. Não serve para absolutamente nada dentro do modelo escolar que temos. Quando os meninos e as meninas vão à escola, fazem-no com um objetivo claro, melhorar de vida, ascender socialmente ou manter-se na posição privilegiada, os que nela já se encontram, aprender para ser alguém na vida. Logo, o modelo é utilitarista, pragmático. Raríssimas exceções encontram-se. Pessoas que estudem para crescer como ser humano, para humanizar-se deveras são poucas, pois a lógica de mercado está tão arraigada que nos esquecemos, constantemente, de sermos seres humanos.
Aprender Literatura, ler literatura, é observar o comportamento humano desde o ponto de vista de outrem; é perceber como se capta e se percebe a realidade, transfigurada em objeto estético. Mas a sociedade e, por conseguinte a escola nos seus moldes, não quer seres humanos, senão seres máquinas capazes de produzir a maior quantidade de mercadorias no menor tempo possível sem percalços.
Portanto, quando os alunos nos perguntam para que serve a Literatura, podemos mentir-lhes, dizendo que serve para aprender a como não se deve viver nesta sociedade.

terça-feira, 15 de março de 2011

Crime e Castigo


A lei da física já dizia que toda a ação provoca uma reação de mesma força e em sentido contrário, pois saibam que a física engana-se, às vezes, e, outras vezes, deixa de ser tão exata quanto pretende. A personagem de Dostoiévski, Raskólhnikov que o diga. Cometeu um crime que se julgava forte o suficiente para arcar com as conseqüências e seu maior castigo não foi a pena na Sibéria, senão a ansiedade, a aflição e a angústia que o transtornaram psicologicamente.
Momentos de ira, diferentemente da personagem acima citada, podem causar o mesmo efeito devastador, acorrentar-nos em sentimentos cujos efeitos são extrema perturbação psicológica, pois, embora sendo perdoados por outrem, não conseguimos perdoar-nos a nós mesmos.
Logo, mais exato que a física foi Dostoiévski, pois o crime leva a um castigo, sim, e a maior de todas as sentenças é o nosso julgamento sobre nós e como começamos a nos vermos enquanto sujeito. Percebemos a crueldade existente em nós e a dificuldade para freá-la. Devemos entender Raskólhnikov e aprender com a Literatura que é a disciplina mais exata no que diz respeito ao ser humano.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Os espanhóis conheciam Descartes


Chego a conclusão que os espanhóis conheceram o francês René Descartes (1596-1650)  muito melhor que os portugueses. Quando se anda por cidades hispânicas, percebe-se a organização urbana desses lugares, quadras, realmente, quadradas, planos arquitetônicos bem distribuídos, ou seja, lugares nos quais as pessoas conseguem andar tranqüilamente mesmo sem conhecê-los. Uma praça central cujos pontos ao redor são a igreja, a administração pública e casarões da época da colonização. Obviamente, o filósofo e matemático francês é posterior à incipiente colonização, embora o período de urbanização das colônias é contemporâneo ao erudito francês. A urbanização cartesiana chega ao cúmulo de na Argentina as áreas cêntricas terem um ponto zero de onde partem todas as demais ruas com numeração crescente de Norte a Sul, de Leste a Oeste, ninguém alfabetizado, por mais esforço que faça, conseguirá perder-se. Já a herança urbanística portuguesa é muito simples, cresça como puder, como der, vão fazendo uma casa atrás da outra e azar, se chover e desabar a defesa civil pede doações. Essa herança foi muito bem internalizada por nós que seguimos com o mesmo plano arquitetônico de nossos centros urbanos.
A questão é que o plano urbano é apenas uma amostra superficial muito visível da desorganização que herdamos, e que os portugueses atribuem aos índios, pois se algo herdamos destes foi a higiene. Assim, somos assistemáticos nos planos escolares, no respeito que dispensamos aos outros, nos pedidos de desculpas que damos por nossas irresponsabilidades. E assim, seguimos sem conhecer Descartes. 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Intensidade


Acho que o meu carpe diem deveria ser “que não seja imortal posto que é chama/ mas que seja infinito enquanto dure”, isto é, não um exato carpe diem, mas uma forma de pensarmos a existência e a nossa ação sobre o mundo, enquanto ele age sobre nós. Às vezes desejamos uma existência duradoura e, para tal, privamo-nos de uma gama de situações, de ações em nome da quantidade.
Projetamos uma vida longa, embora para isso precisemos deixar muito do que nos agrada. Projetamos relacionamentos para vida inteira e para tal abdicamos do que nos interessava neles para não batermos de frente. Mas o que vale é a qualidade, aqui, leia-se intensidade. A vida deve ser intensa. Tudo pode durar um minuto se for profundo. A pele deve arrepiar-se, os sentimentos aflorarem, pois assim sentimos que estamos vivendo.
Portanto, onde diz intensidade, leia-se vida. No entanto, uma vida vivida, que espreme até a última gota de suco de tudo, viver sem ter a nostalgia de haver deixado de fazer uma porção de coisas que não somos mais capazes hoje. Isso é viver intensamente. Não projetemos a imortalidade, queiramos a intensidade. 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Crenças


Somos seres de crenças. Sim, cremos em deuses ou cremos que eles não existem, cremos nas pessoas ou que nelas não podemos crer e, principalmente, cremos em nós mesmos, no que somos, no que gostamos, no que planejamos e no que vivemos. No entanto, as crenças são sentimentos tidos como verdades e estas são construções, que podem mudar de uma hora a outra, fazendo implodir todo o edifício de crenças que tínhamos como imutáveis, pois esta é outra característica das crenças, tê-las como eternas, para que erijamos todo um novo sistema.
Tudo em que acreditamos e tomamos como verdades é para ser eterno. Não pensamos ou refutamos a idéia de que nossas convicções sejam cambiáveis, portanto, muitas vezes, temos posturas, extramente, radicais acerca de fatos, sentimentos, vontades, desejos. Contudo, não serão, muitas vezes, nossos desejos algo cuja existência foi dada, extemporaneamente, e temo-lo como um princípio, mas na verdade não existe nada que o prenda a existência? Isto é, será que nossos sentimentos existem por algo que brota e cresce ou aconteceu em um determinado momento e nós, inconscientemente, vamos construindo uma narrativa encima disso e existe por apenas esse motivo? Isso, obviamente se estende aos gostos, aos planos e, o mais incrível, ao passado.
O passado é, sobretudo, uma construção do presente acerca do que já aconteceu e está guardado em algum recanto da memória. O passado, se é cômico, fazemo-lo cômico ao extremo, se é sério, deixamo-lo grave e, se é trágico, transformamo-lo numa tragédia de Sófocles. Pegamos nossa visão do que aconteceu, criamos sentimentos a respeito daquilo, limpamos o que não queremos que apareça em cena e reconstruímos a narrativa ao nosso gosto, diferindo, diversas vezes, da narrativa de outro envolvido no mesmo fato. Algumas vezes temos, inclusive, memória do que não aconteceu, mas que nos foi contado tantas vezes ao ponto de passarmos a conceber o fato como vivido por nós com riqueza de detalhes e imagens visuais.
A questão é: acreditamos que vivemos aquilo, portanto passamos a vivê-lo de forma a nos obrigar refazer uma série de eventos o simples fato de passarmos a saber que não estávamos ali. Isso também vale para nossas ilusões, para nossas vontades, para os nossos sentimentos, se de uma hora a outra percebermos que aquilo não era nada do que acreditávamos que fosse, somos obrigados a repensar nossa vida, pois estamos com uma crença partida, logo com uma crença a menos, ou apontando para outra direção. Acontece, às vezes, descobrirmos, por meio dos outros, pela alteridade alheia que somos completamente diferentes do que pensávamos ser, por conseguinte quebra-se a crença mais importante, a de nós mesmo enquanto sujeitos, e o que vem depois é tornarmo-nos órfãos de nós. 

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Livramento um ano depois

Há aproximadamente um ano, publicou-se neste espaço um denúncia, um apelo, um desabafo sobre o descaso das autoridades locais com a minha cidade natal: ttp://pensamentofascinante.blogspot.com/2009/12/faroeste-gaucho.html . E nesse um ano muita coisa mudou, então venho aqui para...desabafar, denunciar, notificar que essa mudança foi para pior.A situação de descaso mudou? Sim, está bem maior.
Ano passado, com a recusa de aumento de salários dos lixeiros por parte da prefeitura municipal, houve a greve daqueles trabalhadores, deixando a olhos vistos a sujeira da cidade. Neste final de ano, o problema é outro, pois o problema é os problemas. Falta de respeito, falta de planejamento, falta de autoridade, falta de concorrência e represálias com os que se opõem à situação de desatenção com a cidade, e cada uma dessas situações incômodas interrelacionam-se, gerando uma grave crise na cidade. 
A companhia de energia elétrica resolve trazer benefícios para cidade, realizando a troca dos postes de iluminação pública. Que maravilha! Não fosse a data, a semana entre Natal e Réveillon. A cidade está cheia de pessoas, a maioria é gente daqui que mora fora, as geladeiras estão cheias também, o calor insuportável, logo ótima data para que fiquemos as tardes inteiras sem energia elétrica, grande planejamento. Muitos podem pensar, não se pode nem desfrutar dessa água gelada deliciosa que escorre pelas torneiras proveniente do aqüífero Guarani. Contudo, aqui o problema é outro, pois também, por algum problema, há um corte no abastecimento de água. Pensei na hora em ligar para alguém para contar esse fato, em publicar esta denúncia na hora do acontecimento, no entanto, a única companhia de telefonia fixa que opera na cidade, aqui o monopólio impera, estava realizando a manutenção das linhas, justamente nessa data, e não havia nem telefone, nem internet. Então, não tínhamos água, luz nem telefone, foi para brincar de século XIX, claro que com o calor que todas tecnologias geraram devido ao impacto da mudança que transforma o clima diariamente. Além de tudo isso, a prefeitura viu-se no direito de subir as tarifas do serviço de água. A boa notícia seria que um vereador mudou seu voto, graças a pressão popular, ao que tudo indica, e votou contra o aumento, dando a vitória à oposição e rejeitando a suba na tarifa. Entretanto, o vereador, logo após o voto, ainda na câmara de vereadores, foi avisado que um veículo do departamento de água e esgoto do município, o DAE, havia dirigido-se à sua casa e cortado o fornecimento de água na casa do político. Uma represália que mostra Livramento cada vez mais próxima ao Faroeste do pampa.
Portanto, diante de tamanho descaso e falta de respeito, parece que não basta às autoridades locais expulsarem os filhos da terra pela falta de perspectivas que a cidade apresenta,haja vista que a população nos últimos 10 anos diminui de 90849 habitantes para 81964 (segundo os dados do IBGE) também parecem não mostrar a mínima vontade que essas pessoas voltem para visitar seus familiares, rever seus amigos e lugares de sua infância e adolescência. "Livramento, ame-a ou deixe-a"! 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Sombras natalinas


Uma vaga, curiosa e estranha ausência começa nesta época natalina. Não sei ao certo o que é, mas me sinto como se fosse uma sombra, como se todos nós fôssemos sombras. Sim, apenas sombras. Hoje, uma pessoa disse-me que as sombras poderiam representar a essência do ser, mas eu relativizaria tal assertiva, pois acho que as sombras representam justamente a aparência, projeções de nós, variando conforme a angulação solar.

Assim, sinto-me a mim e aos outros também na época de Natal. Neblina, tudo vira neblina, como em um dia ansiosamente aguardado para fazer algo ao sol que amanhece nublado, cinza e frustra nossas expectativas. Bem, em relação ao dia sem sol, até posso entender o motivo da tristeza da apatia que se nos apodera, do tédio que no abate, entretanto, no Natal, não sei qual é o motivo, senão ser Natal. Nunca tive problemas, sempre foi uma data para ser feliz, família reunida, amigos, presentes, comida, festa, contudo, à medida que a data se aproxima, um sentimento negativo, inexplicavelmente, se apodera de mim. Esse sentimento é corroborado por cada criança com fome na rua, por cada pessoa de escassas condições sonhando com um Natal cujo banquete nada mais do que o que temos cotidianamente. Natal é triste, é sem graça, o único bom é ser marca que falta apenas uma semana par o Ano Novo, data na qual as sombras se desfazem. 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Amanhã começa

Não é muito comum, ou melhor, é, praticamente, inexistente a presença desse tema neste espaço, mas a ansiedade está me dominando, e eis que surge um agente complicador: a impossibilidade de um mesmo corpo ocupar dois lugares ao mesmo tempo.
Amanhã, começa, para o Inter, o Mundial de Clubes da FIFA, e, como muitos sabem, tenho uma doença por esse time, afinal é minha paixão mais antiga, mais antiga ainda que as letras, pois quando aprendi a ler já era colorado. O agente complicador é uma prova final de literatura portuguesa amanhã na hora do jogo. Não deixarei de fazer a prova, porém terei minha capacidade de concentração diminuída consideravelmente.
Bem, a questão é que todo o fanatismo, seja ele qual for, é péssimo, então não me considero um fanático, senão um apaixonado, um romântico em relação ao Campeão de Tudo. Sim, tenho brigas terríveis com ele, fico de mal (as pessoas dizem: "não adianta, você aí furioso e os jogadores ganhando milhões), mas não brigo com jogadores, brigo com o time, os jogadores, assim como nós seres humanos, passam, o amor pelo clube é transcendente, é inexplicável, é egoísta e generoso, é exigente e complacente!
Então, espero que amanhã comece mais um capítulo de uma história terminada com lágrimas de alegria, gritos de explosão, catarse de emoções! Gritemos, vibremos, torçamos! Vamos, Inter!